Todos os dias

Jardim de flores

Manoel PET Estará presente em todos os locais

Durante os dia da mostra teremos a construção do jardim de flores pelo artista plástico Manoel PET

10/7

O Salto

Será o Benidito?! Morro do Salgueiro
Quadra do Campo

O Palhaço Migué Bruguelo Ditoefeito anuncia que vai dar 3 saltos, de os olhos vendados sem tirar o pé do banco. Mas até que se prepare, vende os olhos e dê os 3 saltos tudo pode acontecer.

17/7

Dados Variáveis

Será o Benidito?! Curicica
E.M, Silveira Sampaio

Dinâmico e de total
interação com o público, o espetáculo vai sendo definido a cada apresentação por um sorteio feito com um dado e 6 cenas escolhidas dentre 12 sorteada pelo público.

24/7

No Pocket

Coletivo Nopok Chácara do Céu
Praça do Campo de Futebol

É um espetáculo para todos os bolsos, formado por uma sucessão de números que exploram o virtuosismo técnico entrelaçados por situações burlescas e inusitadas.

7/8

Charlatões mais sinceros do mundo

Cia 2 Banquinhos Marechal
Praça Osmar do Cavaco

Palhaço e mímico cansados de serem enganados, resolvem usar artimanhas de charlatões para levar o seu público a sinceras gargalhadas.

14/8

Fuzuê

Cia de Aruanda Complexo do Andaraí
Praça Nobel

Espetáculo visa a difusão e valorização das diversas tradições da cultura popular brasileira, utilizando dos patrimônios imateriais como instrumento de transformação social.

4/9

As aventuras de Malasartes

Cia. Troppa de Fantoches em Cena Borel - Terreirão

Espetáculo de contação de histórias que narra Pedro Malasartes, um sujeito que vinga sua gente injustiçada.

11/9

Errar é Umano

Cia Cinequanon Vargem Grande
Largo do 30

Dois cientistas a
procura do homo perfectus, contam a história da humanidade, através de
quadros cômicos e intervenções circenses.

18/9

Pulitrica

Palhaço Afonso Xodó Turano
Largo da Rua 17

Afonso Xodó é um falastrão, conhecedor de ciências ocultas, tenta mostrar uma elevada capacidade em números extraordinários.

2/10

Intermezo

Teatro de Anônimo Cidade de Deus
Praça do Karate

Espetáculo circence que explora a linguagem da comicidade, utilizando técnicas como magia, acrobacia, dança e equilibrio.

9/10

Sonho de uma noite de verão

Farsacena Complexo do Andarai
Praça Nobel

Espetáculo Teatral inspirado na obra de Shakespeare conta a história de uma disputa amorosa entre Hérmia e seu pai Egeu.

16/10

Pulitrica

Palhaço Afonso Xodó Praça da Cohab
em Realengo

Afonso Xodó é um falastrão, conhecedor de ciências ocultas, tenta mostrar uma elevada capacidade em números, que criam efeitos e fenômenos extraordinários, contrários às leis da natureza.

23/10

HaHAHa

Núcleo Boa Praça Praça da Cohab
em Realengo

Espetáculo teatral que realiza números clássicos e reprises da palhaçaria universal, mantendo vivo o jogo cômico em duplas, trios e solos e re-lembrando os grupos cômicos.

6/11

Lendas Negras

Companhia das Histórias GRES Salgueiro
Quadra da GRES Salgueiro

É um ponto de partida para o diálogo a convidar seus espectadores a mergulhar na ancestralidade do povo brasileiro e em especial do povo negro.

20/11

Excentricidades Extremas

Cia 2 Banquinhos Curicica
E.M. Silveira Sampaio

Explora os limites humanos, físico e mental. Dois artistas se desdobram para buscar o cômico de uma forma jamais vista antes.

  • Excentricidades Extremas
  • Um novo domingo em Curicica

    Por Flavio Aniceto

    Enquanto os homens jogavam futebol, mulheres passavam com as compras, outras com maridos e filhos pareciam ir ou vir de atividades religiosas, carros de serviços circulavam, ônibus deixavam e pegavam passageiros. No meio disto tudo dez ou doze garotas e garotos saem da escola que pontifica na Praça em fila indiana (com dois palhaços de “carona”) e apresentam um trecho do espetáculo “Urbe”. Urbe, urbano, urbanidade, tudo muito simbólico quando estamos em um logradouro público, em uma comunidade que é parte de um bairro que por sua vez faz parte de outro. Dois Irmãos – a comunidade, Curicica – o sub-bairro, Jacarepaguá – o bairro quase cidade no município do Rio. Urbanidades.

    Os jovens fazem parte da companhia formada na escola, fruto de um projeto que objetiva permitir aos estudantes que têm condições, vocação e desejo, uma formação profissional na linguagem da Dança e experiências de apresentações, seguidas de debates ou oficinas, em diversos espaços de Jacarepaguá e de seu entorno.

    A idéia, segundo os professores “é permitir à platéia uma experiência estética que se desdobra num repensar coletivo desta (experiência), na busca de um redimensionamento do olhar de cada um não só sobre o trabalho artístico em si, como também sobre aquilo a que ele se propõe.” A companhia foi possível através do
    Ponto de Cultura Circuito de Dança – Programa Cultura Viva – Ministério da Cultura, uma realização do Núcleo de Arte Silveira Sampaio, com a sua Associação Cultural Artística e Desportiva CADÊ.

    Os jovens estudantes foram convidados para fazer a abertura da última sessão da Mostra Artista de Rua. Em seguida ao espetáculo de dança, ressurgem aqueles dois palhaços da fila, André Pateta e Looongo que apresentam o seu novo trabalho “Excentricidades Extremas”. A nossa mostra não poderia ter um encerramento melhor, com duas apresentações – dos jovens da escola – e com muita palhaçada (uma assinatura do trabalho de artistas de rua, o improviso, o humor, a comicidade).

    E tendo sido encerrada em 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra aproveitamos para homenagear o negro alforriado Benjamin de Oliveira (Pará de Minas, 1870Rio de Janeiro, 03 de maio de 1954) que em exemplo de criatividade foi o que chamaríamos hoje de “multimidia”: compositor, cantor, ator e palhaço de circo. Nesta última profissão tão cara para nós da Mostra Artista de Rua ele é tido como o pioneiro pelos pesquisadores da área.

    Benjamin fugiu de casa ainda criança com a “troupe” do Circo Sotero, onde atuou como trapezista e acrobata. Em entrevista a Brício de Abreu, em 1947, descreveu o circo em que trabalhou, por volta de 1885:

    Em Mococa, encontrei um grupo trabalhando. O chefe do elenco se chamava Jayme Pedro Adayme. Era um norte-americano(…)trabalhávamos em ranchos de taipa, cobertos com panos velhos. Cada vez que mudávamos de cidade, vendíamos a parte da madeira e levávamos apenas a parte do pano em lombos de burro(…)Andávamos por terra de cidade em cidade, de vila em vila. Raramente conseguíamos um carro de boi. Quase sempre em lombo de burro.”

    Virou palhaço porque o “titular” adoeceu e não havia ninguém para substituí-lo. Acabou fazendo muito sucesso, sendo homenageado até pelo então presidente Floriano Peixoto.

    Viva o palhaço Benjamin de Oliveira!

    Viva o circo!

    Vivam os artistas de rua!

    E até a próxima sessão!

  • Lendas Negras
  • Boitatá sibilando no Salgueiro

    Por Flavio Aniceto

    Olhamos o Salgueiro de outro ângulo. Na primeira atividade da Mostra Artista de Rua fomos ao alto do morro. Agora, inversamente, fomos ao “pé”. Justamente na quadra que recebe tanto a comunidade “lá de cima” como toda a cidade e torcedores da azul e vermelha da Tijuca, uma das mais importantes e tradicionais escolas de samba da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Forma o “Quarteto fantástico” com a Estação Primeira de Mangueira, a Portela e o Império Serrano.

    (Óps, tô cometendo um pecado, ou no mínimo uma descortesia, pois o GRES Acadêmicos do Salgueiro – como tantas outras escolas de samba cultua São Jorge, e eu aqui lembrando que a nossa cidade é de “Tião”…).

    Com o Salgueiro nos anos 1960 aprendemos – graças a Fernando Pamplona, Maria Augusta, Arlindo Rodrigues, as Irmãs Marinho e até o depois famoso na Beija-Flor de Nilópolis, Joãozinho Trinta – a sermos negros. Ao menos na avenida dos desfiles (Presidente Vargas na época).

    Os reis e rainhas europeus, os chamados genericamente de Luís XV, foram substituídos por Chica da Silva, Ganga Zumba, Chico Rei, Zumbi dos Palmares e tantos outros. (Depois para contrabalançar tanta contribuição cultural o Salgueiro resolveu fazer o samba virar marcha com os olé-lê-olá-olá da vida, mais isso já é outro assunto…).

    E é sintomático que nesta escola, a Mostra Artista de Rua tenha apresentado em 06 de novembro o espetáculo Lendas Negras da Companhia das Histórias, o qual teve como âncora a mitológica cobra Boitatá. Esta que é um dos símbolos das culturas populares do Brasil e dos seus interiores. Talvez, só perdendo em popularidade para os diversos contos em torno de bois-bumbá e o erezinho e clown Saci Pererê, mas formando na frente da Mula-sem-cabeça, do Curupira e do gaúcho Negrinho do Pastoreio. (Por suposto, não opino por razão absoluta).

    Como dica, o enredo dos Acadêmicos do Salgueiro para 2012 é o Cordel… Hum, vamos nos encontrar novamente nesta comunidade/escola ‘para o ano’, trazendo quem sabe um Malasartes?

    #fica a dica

    E até a próxima praça…

  • HaHAHa
  • Diálogos ouvidos na Praça Capitão Teixeira (COHAB) Realengo

    Por Flavio Aniceto e Fernanda Rocha

    – Quanto palhaço! É propaganda daquele filme nacional que estreou com o Selton Mello e o Paulo José? – perguntou um rapaz para uma menina.

    – Vocês não acham que é muita palhaçada?! – disse uma senhora, entre perguntando e exclamando, levando a mão nas cinturas, se sacudindo toda…

    – Eu “nem” acho, pois a COHAB é mesmo lugar de palhaço… – Respondeu o neto desta senhora.

    – Isso eu concordo, aliás, se colocar o resto do bairro de Realengo, então… – sussurrou uma outra senhorinha passando com as compras de domingo.

    Realmente a Praça da COHAB sofreu uma “invasão” de palhaços no último dia 23 de outubro, Afonso Xodó gostou tanto da apresentação que fez no domingo anterior que chamou seus parceiros do Núcleo Boa Praça, os palhaços Looooongo e Migué Bruguelo Dito e Feito, e o “palhaço oficial” da área, Titão, para não ficar “por fora” convidou seu vizinho, Batata para formar no seu time.

    Os meninos e meninas que compareceram no domingo 16 de outubro, chamaram outros amiguinhos e o público dobrou!

    – “Causamos”! – gritou um dos palhaços, vaidoso e pimpão.

    HaHaHa o espetáculo apresentado faz uma coletânea “da palhaçaria universal, mantendo vivo o jogo cômico em duplas, trios e solos e re-lembrando os grupos cômicos”.

    – Então é uma espécie de “revival”, uma espécie de Velha Guarda da Palhaçada? – perguntou debochado o rapazola lá de cima.

    – É mais ou menos isso. Eles lembram Os três patetas, Groucho e Marx, Os Trapalhões, Carlitos… – respondeu alguém da equipe de produção.

    E a galera, curtiu bem. Aplaudiu de pé, sentada e deitada…

    – Deitada? – perguntou um desavisado.

    – Sim, sim, deitaram no chão da praça para rir mais… Principalmente naquela cena espetacular, “mara”… – alguém respondeu.

    E no final da apresentação a trupe de palhaços e produtores quase entrando na van é cercada pela garotada do bairro.

    – Quando será a próxima? Quem será a atração? – perguntaram algumas crianças.
    – Não sabemos. Só podemos dizer que será beeeeeemmmm palhaço… – em coro, nós do Artista de Rua respondemos.

  • Pulitrica
  • Humor, teatro e a palhaçaria!

    Palhaço Afonso Xodó

    Leo Carnevale representa um simpático e versátil palhaço Afonso Xodó na praça do Largo do Machado. Por trás das roupas largas e o nariz vermelho está um artista com uma longa carreira.

    O gosto pela interpretação começou quando Leo ainda no segundo grau cursou teatro no colégio. “Descobri que essa seria minha vida”, conta.

    O personagem do palhaço ele aprimorou nas ruas. Desde 1987 fazendo arte, Leo já participou de diversas oficinas e workshops e apresentou mais de dez espetáculos pelo Brasil. Arte de rua é sua paixão e ressalta seu valor. “Essa é a possibilidade de encontro do artista com as pessoas, que gostam de uma boa diversão e de um bom riso”, conclui.

    Palhaçada na COHAB

    Por Flavio Aniceto

    De Gilberto Gil (preso no quartel situado na Praça do Canhão, no bairro, na época da ditadura militar e que é o patrono da lona cultural local) chegando a Jorge Benjor (que já foi homenageado com o nome de um espaço cultural na área), passando por sambistas, funkeiros e outros artistas, muito já se cantou Realengo. Uma “pequena” cidade de mais de 200.000 habitantes na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Seu nome segundo a crônica urbana popular deriva de Real Engenho, que escrito na tabuleta dos bondes Real Engº acabou virando Realengo. Será?

    Acostumado a ser cantado em verso, Samba, Funk e prosa, jamais em tempo algum, Realengo recebeu estrelas tão importantes como as do “Grande Circo de Pulgas” que armou sua “lona” de papelão na Praça da COHAB (como é popularmente chamado o conjunto Capitão Teixeira) – centrão do bairro. As pulgas pularam, cantaram e apresentaram outras variedades.

    Mas não sei se fizeram frente ao trio de palhaços: Afonso Xodó, Titão e Belinha que se esforçaram na palhaçada para delírio das muitas crianças e adultos que acudiram à praça.

    Afonso Xodó, já é um veterano da Mostra Artista de Rua e segue a sua carreira vertiginosa na palhaçada, sempre “falastrão e conhecedor de ciências ocultas”, e tentando como um gênio do ramo, “mostrar uma elevada capacidade em números, que criam efeitos e fenômenos extraordinários, contrários às leis da natureza”. Um Einstein clown.

    Já o palhaço Titão é o autêntico representante da camada mais humilde do povo. Seria um palhaço justiceiro? (não no sentido daqueles justiceiros de filme de caubói, mas por defender os mais pobres). Seu figurino trás um originalíssimo conceito de “aristopobre” ou “pobrestocrata” e não deixa dúvidas, mostra que ele é da família nobre do gueto. Seu jeito falastrão deixa bem claro sua característica maior, a falácia e na verdade tudo que diz é só pra disfarçar que não tem nada a dizer. (Um sábio!).

    Finalmente, temos a presença da palhaçada feminina: com a mesma inocência de uma criança, Belinha vive no mundo da lua servindo seu ridículo como sobremesa aos que a olham e desfrutam de seu jeito tonto de fazer rir. E cativa a todos, até por mostrar que não só os homens são… palhaços!

    A “trinca de três”, mais as pulguentas tomaram a Praça da COHAB, arrancaram risos e aplausos e disseram: domingo tem mais!

  • Sonho de uma noite de verão
  • “Sonho de uma manhã de verão“ ou Shakespeare subiu o morro, jogou capoeira, fez macumba e dançou Funk com o grupo Farsacena

    Por Flavio Aniceto

    De verdade não era verão, ainda estamos na primavera. Domingo, 09 de outubro de 2011.Mas se estamos no Rio, no alto de um morro e o céu está azul (assim como a Baía de Guanabara que avistávamos de longe), pode-se dizer que era uma manhã daquela estação. Não era noite, nem era verão, mas era Shakespeare.

    E os personagens – já que estavam no Rio, no calor, na favela cercada de tropicais pés de Jamelão e não na Inglaterra Vitoriana – subverteram tudo (teatro é isso, não?): jogaram capoeira, fizeram “feitiço” ou a nossa popular macumba como chamamos as religiões afro-brasileiras, dançaram Funk e até um hit do Justin Bibier (ídolo adolescente desta temporada e que estava no Rio na mesma semana).

    A criançada e os adultos da comunidade do Jamelão, no alto do Complexo do Andaraí, por onde se chega através de curvas sinuosas (como nos castelos dos desenhos animados e contos de Grimm, só que aqui a realidade social é outra), aplaudiu (sentada e de pé), bradou, brincou, “dedurou” personagens bons para os maus e vice-versa. Fez parte do show…

    Foi um domingo de muita alegria, principalmente para uma petizada que até há pouco tempo atrás disputava as áreas de convivência (uma praça “cacarecada” e as calçadas da Rua Adolfo Caminha) com motos em ziguezague e outras coisinhas mais. Hoje meninos como “Leo Moura” (chamado assim por ter o cabelo “neymarzado” como os dois jogadores de futebol, o Leo do Mengão e Neymar, do Santos F.C) circulam livremente e voltam a ser criados com a liberdade das ruas. Como falaram alguns mais velhos para nós, sobre as suas infâncias. “- Antes era assim: ruas livres e tornaram a ser. E tem que continuar!” Nos disseram.

    Como nos disse um morador, de 56 anos, nascido na comunidade e compositor da escola de samba local (GRES Flor da Mina do Andaraí):

    “- Que bom isso que vocês estão fazendo. Olhem esta movimentação. Os órgãos do serviço público… O teatro! O teatro! Agora esta criançada pode responder que querem ser atores quando crescerem! Têm outras influências. Antes éramos uma comunidade, mas não éramos, entende?”.

    Entendo “meu Tio”, entendemos todos.

    Não é a toa que até Shakespeare veio apreciar.

    PS: Ah, o dramaturgo disse que na próxima ele volta trazendo o Hamlet, Romeu e Julieta. Mas desta vez em traje de banho, pois já será verão. Tem mangueira nesta laje? Tomar banho de mangueira ou assar o churrasquinho.

    Eis a questão?

    Pode ser as duas opções?

  • Intermezo
  • Obama, “Obamis” e nós

    Por Flavio Aniceto e Fernanda Rocha

    Antes de “Dadinho” virar “Zé Galinha” a Cidade de Deus, CDD para os íntimos (intimidade que hoje, graças ao filme sobre a comunidade, lançado em 2002, ultrapassa em muito as fronteiras da Zona Oeste do Rio, da cidade, do Estado e do Brasil) a comunidade já recebia projetos variados. E também produzia. Desde os movimentos negros e associações de moradores na época da redemocratização (final dos anos 1970 e início dos anos 1980). A violência expressa no filme, as lutas pela sobrevivência, a diversidade de expressões, tudo isto é a CDD.

    De Barack Obama a Xuxa Meneghel, do cantor sertanejo Daniel a pop-star latina Shakira, de presidentes da república como Lula até seus ministros e agora a ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, da presidenta Dilma, do Funk de Tati Quebra-Barraco ao rap militante de MV Bill e Nega Gizza. De uma infinidade de projetos sociais e culturais.

    Em licença poética podemos até pensar no grande e saudoso ator Mussum, fugindo de uma gravação de “Os Trapalhões” ali no PROJAC para fazer uma roda com o seu grupo “Os Originais do Samba” e encontrando o presidente norte-americano, negão como ele e gritando “vais uma cervejinha, Mr. Obamis?

    Em um palco tão privilegiado, nós da Mostra Artista de Rua não poderíamos chegar de mãos abanando e para pisar na CDD convidamos os prestigiado grupo Teatro de Anônimo, com seus 25 anos de carreira e sucesso. O grupo apresentou o pocket Intermezzo no último dia 02 de outubro na Praça do Caratê.

    A galerinha da CDD curtiu, nós curtimos e poderíamos para comemorar, todos juntos, cantar e dançar o Funk de Cidinho e Doca:

    Cidade de Deus é o maior maior barato
    E te pergunta, pergunta brigar pra que? (pra que?)
    Se você for lá uma vezinha só, é,
    Você nunca mais vai esquecer…”

  • Errar é Umano
  • Crianças “perfeitas” em uma “cidade” distante o:
    Largo do 30

    Por Flavio Aniceto

    Em um frio domingo de setembro adentram uma rua de terra no km 30 da Estrada dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio, um camburão verde cheio de penduricalhos, secundado por uma van e no rastro desta uma equipe de TV. O que seria?

    Os “estrangeiros” descem dos seus carros e logo surgem inicialmente tímidas, algumas crianças, três, quatro… dez. Os equipamentos começam a ser montados, o camburão faz as vezes de cenário, a trupe e os pequenos moradores começam a se enturmar. Uma tira fotos da molecada, outra joga totó (futebol de mesa) com umas crianças tendo uma amêndoa como bola, o artista Manoel PET convoca outras para aprenderem a fazer suas flores com garrafas plásticas (as flores de plástico “causarão” em meio a grande vegetação da região de Vargem Grande? Ou se entenderão em sua “linguagem” de plantas reais e artificiais?). Alguém propõe que as crianças convoquem outras e uma malta sai correndo pelas duas ruas que formam o Largo do 30, e voltam minutos depois, acompanhadas de outros petizes, depois chegam pais, mães, tios, primos, avós, família, famílias.

    Alguém estende no terreiro uma lona azul a título de plateia, e, animadas, mas educadas as crianças tiram as sandálias e chinelos para “adentrarem o recinto”. Ouve se o som de um saxofone…

    … e do camburão verde saem os três personagens/cientistas apresentados pela Cia. Cinequanon: o Senhor Palhaço (representado pelo ator Alexandre Hryhorczuk), Gambiarra (ator Dodô Giovanetti) e O Poeta (ator, músico e sonoplasta da Alberto Eloy), a proposta do trio é contar a história da evolução (??? !!!) humana desde os homens das cavernas – que assim que aparecem provocam um leve e divertido terrir nos pequeninos -, passando pelos homo erectus, homo dupla ação (sim, alusivo-irônico a um detergente em pó), homo mercantilis (que inicia-se com o escambo e esbarra nos negócios atuais). Isto tudo para buscar o homo perfectus…

    E quem é este homem idealizado?
    É criança?
    É adulto?
    É homem?
    É mulher?
    Mora no Largo do 30?
    Mora nas mansões e condomínios da Barra e do Recreio?

    Ao final da experiência dos cientistas e da criançada o Senhor Palhaço anuncia que este homo perfectus existe sim! Dentro de cada um de nós, dos que vivem bem, amam, são solidários, são amigos, enfim buscam a perfeição das coisas simples e do cotidiano, fazendo a sua parte…

    Quem começa?

  • As aventuras de Malasartes
  • “Não espere a paz, seja você a paz…”

    Por Flavio Aniceto
    Uma frase simples e direta e que poderia estar na letra de algum rock antigo (como os de Lennon) ou banalizada em um anúncio publicitário, mas em uma camiseta usada pelo “Seu” Otávio, líder comunitário do Borel ganha a força de uma declaração política e de vida.

    Estivemos no Borel, comunidade tradicional e de luta, no último dia 04/09, com a Mostra Artista de Rua apresentando o espetáculo “As aventuras de Malasartes” da Cia. Troppa de Fantoches em Cena, fundada em 1990, presidida pela atriz Márcia Fernandes, com prêmios diversos, de caráter multidisciplinar e que agrega novos atores, músicos e outros artistas de acordo com o trabalho a ser desenvolvido. Nesta Malasartes a convidada foi a atriz e instrumentista Lina Mariacchi.

    O Malasartes contou estórias brasileiríssimas e traquinas para as crianças, o personagem tradicional de nossa cultura parecia atender as determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente/ECA, tão combatido quanto atual em seus 21 anos de existência e do qual o Borel carece tanto. Não é em vão que em diversos muros ma comunidade, vimos artigos do ECA inscritos, como que lembrando que as crianças são sagradas e que àquelas das comunidades por serem desiguais (em seus direitos e acesso) têm que ser mais e mais prestigiadas. Justiça social não é favor e deve começar cedo.

    Mas não só de crianças e adolescentes vive a comunidade, atendida pelo projeto de UPPs, organizou-se na Rede Social Borel para discutir o futuro das diversas comunidades que a compõem, mas sempre lembrando que o projeto governamental de segurança pública – apoiado por esta – não poderá esquecer o que já estava ali construído, e são muitas as entidades anteriores ao processo atual.

    “Borel limpo, lindo e livre” também é um mote em cartazes colados nos postes e muros. Pode ser uma lembrança sobre a coleta de lixo pela COMLURB, mas evidentemente também pode ser algo muito maior. Limpeza não é só asseio; lindo em sua diversidade também é, seja pela beleza da escola de samba nascida ali (Unidos da Tijuca) e que brilha no Sambódromo ou pelo fato de ser fronteiriça a Floresta da Tijuca; e livre, com a liberdade que todos anseiam na cidade – morro e asfalto – , com distribuição de renda, segurança, educação, cultura enfim, muitos sonhos. O sonho de proteção das crianças ou a paz defendida pelo morador do início deste texto e que pode ser resumido nos versos da poeta Adélia Prado, os quais estão visíveis na sede do Jovens com uma missão – JOCUM, entidade local:

    “Sonho encheu a noite
    Extravasou pro meu dia
    Encheu minha vida
    E é dele que eu vou viver
    Porque sonho, não morre”.

  • Fuzuê
  • Cia. de Aruanda – jovens entre o mítico, o pé no chão da realidade, a ginga preta brasileira e a cabeça cheia de ideias

    Por Flavio Aniceto
    Nei Lopes¹ nos ensina que Aruanda é “a morada mítica dos orixás e entidades superiores da Umbanda”, apropriação de Luanda, capital de Angola, e que na memória afetiva de negros escravizados embarcados naquele país africano, com o tempo deixou de representar um porto, tornando-se não só um lugar utópico, mas toda a África e a liberdade perdida.
    Maria Bethania, Jorge Benjor, Rita Ribeiro e outros artistas já cantaram Aruanda, mas aqui apresentamos um outro movimento cultural que homenageia a mitológica cidade e que é completamente real, com os pés no chão da realidade, ginga, competência artística e muita disposição para a transformação social e cultural:
    A Companhia de Aruanda, atração da Mostra Artista de Rua no último dia 14/08, na Praça Nobel, Andaraí, Zona Norte do Rio de Janeiro, foi criada em 2007 por jovens vindos de diversos projetos (Jongo da Serrinha, Afro Reggae, Companhia Étnica, Cia. dos Comuns, Cia. Brasil Mestiço, entre outros). A partir das experiências anteriores, eles resolveram se autonomizar, arregaçando as mangas e passando a criar e produzir seus próprios espetáculos e projetos. São moradores de comunidades, do subúrbio carioca e da Baixada Fluminense, das áreas de dança ( contemporânea, afro, populares), teatro e música, os quais se reuniram em torno de um ideal comum: o de pesquisar, divulgar e preservar as diversas danças e tradições das culturas populares brasileiras através de oficinas, palestras e eventos diversos.

    Segundo eles “É de primordial importância a valorização, divulgação e difusão das diversas manifestações da nossa cultura popular em sua totalidade através de palestras, espetáculos, oficinas, em quilombos e comunidades tradicionais do interior do Estado, em teatros, praças públicas e outros espaços alternativos que contribuam para potencializar o acesso à cultura e para formação de platéias, garantindo assim, o acesso das diversas classes sociais a essas culturas. (…) acreditamos que o conhecimento dessas manifestações e conseqüentemente de nossas origens imprime em cada indivíduo o sentimento de cidadania e pertencimento a uma história comum, e garante a perpetuação das mesmas dando a elas novos adeptos e garantindo sua continuidade².”

    Entre as diversas ações que a companhia realiza – com apoio do SESC, uma vez que o grupo mantém relação estreita com a Unidade Madureira – é o Fuzuê de Aruanda, realizado em conjunto com a União Jongueira da Serrinha, uma roda de danças circulares e que acontece todas às 3ª quinta Feira de cada mês, a partir de 19:30, sob o viaduto Negrão de Lima, na Praça das Mães no centro de Madureira (entre o espaço da CUFA e o Baile Charme). E todos os domingos, às 14h, no SESC Madureira eles fazem uma oficina de dança Afro e danças populares. Neste ano de 2011, eles promoveram dois seminários: o Herdeiros do Axé, no Ilê Asé Ala Koro Wo, em São João de Meriti, para discutir o futuro e a permanência das religiões afro-brasileiras, a partir da observação que tiveram ao trabalharem com cultura popular em escolas públicas, tendo grande dificuldade na relação com os alunos; e o I Encontro de Culturas Tradicionais e Juventude, no SESC – Madureira, discutindo o estímulo à maior participação dos jovens junto às culturas afro-brasileira e popular.

    A roda está aberta, vamos girar!

    nota de rodapé:
    ¹ LOPES, Nei. Novo Dicionário Banto do Brasil: contendo mais de 250 propostas etimológicas acolhidas pelo Dicionário Hoauiss. Rio de Janeiro:Pallas, 2003.
    ² Disponível em http://companhiadearuanda.blogspot.com/ acessado em 16/08/2011.
  • Charlatões mais sinceros do mundo
  • Cia 2 Banquinhos

    Palhaços Loooongo e Pateta

    Cia. dois banquinhos pelas ruas do Rio de Janeiro…

    “Cia dois banquinhos. Onde os atores principais são os banquinhos, nós somos apenas atores coadjuvantes nessa estória. Defendemos os direitos dos banquinhos de se apresentarem em todos os campos da atuação, diversão e entretenimento.” Enfatiza o Palhaço Loooongo.

    E assim incia mais um espetáculo no Largo da Carioca. Loooongo e Pateta se apresentam todas as terças-feira em frente ao relógio da praça. Diversão, entretenimento garantidos para quem marcar presença por lá.

    “A suprema felicidade”: dois palhaços em uma vila operária centenária

    Por Flavio Aniceto
    Dona Ruth Hallais Motta, 92 anos, declarou a um jornal carioca¹ ter saudades do tempo em que Marechal Hermes era um “bairro chique”, ela e suas amigas quando chegavam na estação de trem de Madureira eram logo apontadas “ Lá vem as moças de Marechal”. A idosa lembra ainda dos tempos em que circulou por lá, Dona Nair de Teffé, esposa do presidente Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca, idealizador da vila operária que deu origem ao bairro, fundado há exatos 100 anos.

    O marechal que presidiu o Brasil entre 1910 e 1914, concluiu as reformas e obras da Vila Militar de Deodoro e do Hospital Central do Exército (HCE), além das vilas operárias no bairro da Gávea e a que nos interessa a de Marechal Hermes. Já D. Nair de Teffé, foi uma mulher a frente do seu tempo: caricaturista (usando o pseudônimo Rian, seu nome de trás para frente) e ligada às demais artes.

    Marechal Hermes, o bairro, não o presidente, pensado e surgido no mandato do militar e político homônimo, teve parte de suas obras e projetos abandonados até a Era Vargas, quando houve uma retomada. Pulando alguns episódios chegamos ao Teatro Armando Gonzaga, onde estivemos no último dia 07/08 com a Mostra Artista de Rua. Mas é impossível não falarmos do prédio, um projeto do arquiteto modernista Afonso Eduardo Reidy, inaugurado em 1954 e até hoje visitada por estudantes da área de Arquitetura.

    Dona Ruth é saudosa do “glamour” dos “bons tempos”, e talvez não tenha observado os movimentos culturais que ainda acontecem em Marechal. Há tempos. Podemos citar o filme Chuvas de verão, lançado por Cacá Diegues em 1977, filmado no bairro e considerado um marco principalmente por conta da cena de amor na chuva entre os idosos vividos pelos atores Jofre Soares e Míriam Pires e que foi considerada revolucionária por mostrar o nu e o sexo na terceira idade. Em 2010, Arnaldo Jabor, filmou na Rua Engenheiro Assis Ribeiro, o seu filme de volta as telas após 21 anos: “A Suprema Felicidade”. Mas, no caso deste filme, o bairro foi apenas locação, pois o diretor achou que com as características históricas e o casario lembravam a Tijuca e o Leblon dos anos 1950, enredos da fita. Com previsão de estreia para o final de 2011, temos o filme “Billi Pig”, de José Eduardo Belmonte. Pelas ruas de Marechal Hermes, vive o casal Wanderley (Selton Mello) e Marivalda (Grazi Massafera), personagens principais da produção.

    No entanto todas estas são produções “de fora” da área. Mas o bairro, agrega outras manifestações culturais, e tivemos contato com as seguintes: Espaço Cultural Cidadania em Movimento, ONG fundada em 2004, pelo grupo que coordenava um extinto pré-vestibular comunitário; o Cineclube Nosso Tempo, criado em 2005, e que em 2009 foi contemplado pelo projeto Cine Mais Cultura do Ministério da Cultura; mesmo ano no qual através do projeto/programa Cultura Viva, surgiu o Ponto de Cultura Arte e Memória no Subúrbio – Vila Proletária Marechal Hermes.

    Neste bairro cheio de história e principalmente de presente, a Mostra Artista de Rua apresentou o espetáculo “Charlatões mais sinceros do mundo” da Cia. Dois Banquinhos, na Praça Osmar do Cavaco (que homenageia o compositor e membro da Velha Guarda da Portela, nascido em 1931 e falecido em 1999 e que morava no bairro). A praça é a extensão do Teatro Armando Gonzaga, e hoje, infelizmente vimos um quadro bem adverso, os jardins idealizados por Burle Marx estão deteriorados e a população de rua ocupa o seu espaço. A “solução” apresentada pela prefeitura para conter “a violência e o abandono”, é gradear o espaço, o que aparentemente conta com o apoio de parte da população (assim como em outras áreas, influenciada pelo discurso de “segurança” e sem compreender a função sócio-cultural de uma praça).

    Cerca de 100 pessoas, crianças, jovens, adultos e idosos, acompanharam as peripécias dos dois palhaços e o desafio em atravessarem “por dentro de” um banquinho. Em uma participação animada, aplaudiram o palhaço interpretado por Vinícius Longo cumprir sua missão a tempo e pressionar, ameaçando com demissão o parceiro André Pateta para que este cumprisse a “sua parte”. Para além das gargalhadas fruto do prazer da palhaçada, “A suprema felicidade” não foi prometida, mas sugerida quando duas crianças da platéia Gabriel e Eduarda, ajudaram os atores a encherem bexigas cujo conteúdo era duzentos quilos de “energia positiva”. A “carga pesada” foi levantada por Longo, e feito isto, muitos aplausos, o chapéu correndo para os palhaços “alimentarem os palhaçinhos em casa” e um até breve, pois logo a trupe volta àquela praça com um outro projeto o “Hoje tem espetáculo”.

    nota de rodapé:
    ¹ “Um teto de cem anos”, Jornal O globo, 08 de maio de 2011, pg. 18.

COORDENAÇÃO GERAL: André Garcia Alvez | Leo Carnevale | Vinicius Longo

DIREÇÃO DE ESPETÁCULOS: Vinicius Longo

PESQUISADOR SOCIAL & COORDENAÇÃO DO SEMINÁRIO: Flávio Aniceto

DIVULGAÇÃO E PROJETO GRÁFICO: Tuiuiú Comunicação

FOTOGRAFIA: Sandra Calaça

VÍDEO: Vinícius Barbosa | Película Digital

OPERADOR DE SOM: André Pateta

PRODUÇÃO: Leo Carnevale Produções | Será o Benedito?! | Vinil 69 Produções

ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: Fernanda Rocha

TRANSPORTE: Marcelo Sobral

   Livre para todos os públicos


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